The same old story

The same old story

dezembro 28, 2005

Luxúria


















Ama-me como louco, como fera faminta.
Rasga-me a roupa.
Despe-me!
Beija-me com desejo insano.
Segure-me pelos cabelos de forma que eu não fuja.
Marca minha pele alva com tuas unhas.
Prenda-me!
Abrace-me forte como quem deseja ser um só.
Morda-me!
Assanha-me com ar travesso.
Diga-me obscenidade sem pudor algum.
Invada-me!
Sem medo e sem pressa.
Sabemos o que queremos.
Recomeçaremos quando tudo terminar.
Pois sou luxúria a flor da pele e você pecado original.

(escrito por Rosemeire I. B. Demori)

dezembro 26, 2005

Dom da escrita


Gostaria de ter o dom da escrita. De fazer com que as pessoas viajassem ao ler meus escritos, que se identificassem com as minhas idéias. Do mesmo modo como admiro inúmeros escritores.
Sempre que posso, procuro ler livros de gêneros variados. Na adolescência, sempre que era possível ia a biblioteca de minha cidade. Perdia-me por entre as estantes. Cada título interessante, cada escritor apaixonante, eu ficava maravilhada. Pena que a correria do dia a dia, me fez diminuir o ritmo de leitura, mas não o gosto.
Infelizmente uma grande parcela da população brasileira não tem acesso aos livros, e vejo pouco empenho do Governo em incentivar a leitura. Vemos jovens cada vez mais interessados na fraca programação televisiva, e a cada dia a oferta de programas de baixa qualidade aumenta. Nada que venha contribuir para o enriquecimento pessoal.
Uma nação ignorante é mais fácil de ser manipulada. Uma nação sem educação, sem discernimento do que é certo ou errado. Dessa maneira muitos votos são comprados com um simples “convencimento verbal”. Muitos políticos incompetentes são eleitos pelo povo, com promessas infundadas. Se ao menos as pessoas lessem um jornal se quer, saberiam o que acontece no mundo da política, a corrupção, os desvios de verbas públicas, Caixa 2 formado em campanhas políticas. Entenderiam principalmente o que anda acontecendo com o atual Governo, CPMI dos Correios, dos Bingos, entre outras. Certamente nas próximas eleições se lembrariam de toda essa vergonha Nacional e nunca mais se deixariam levar por mentiras e discursos elaborados.
Sei que os problemas sociais do nosso país são inúmeros, dois exemplos deles são a precária Saúde Pública e a má distribuição de renda.
Insisto em dizer que a má qualidade do ensino é um fator muito importante, se não o mais importante! Muitos escritores, sociólogos, artistas, religiosos comentam sobre a falha na educação brasileira. Dizem isso em livros, na televisão, em jornais, mas ainda é pouco. Precisamos de uma conscientização nacional já que o Governo nada faz. Dia desses lendo um livro de Augusto Cury, Nunca desista de seus sonhos, uma frase logo no início me chamou a atenção, percebi que tinha muito a ver com o texto que estava escrevendo. Estava escrito o seguinte: “ O mundo precisa de pessoas que leiam, desenvolvam a arte de pensar e sonhem com uma humanidade melhor”.O ensino é a base de tudo, mas os governantes não querem se preocupar com isso. Preferem fingir que não vêem o problema, pois é cômodo ter um povo vivendo na ignorância.
Precisamos de pessoas que pensem, que questionem, que não se limitem a apenas ouvir e a cumprir ordens. E isso, só será construído com um sistema educacional eficiente. Esse é o meu desejo. Desejo de uma pessoa comum. Assim seja!




“Oh! Bendito o que semeia
Livros...livros à mão cheia...
E manda o povo pensar!
O livro caindo n´alma
É germe – que faz a palma,
É chuva – que faz o mar”...


(trecho do Poema: O livro e a América – Castro Alves)

dezembro 22, 2005

Poema sem título

Conhecer você me fez tímida.
Pensar em você me fez viajante.
Sonhar com você me fez inocente.
Falar com você me fez sábia.
Rir com você me fez criança.
Beijar você me fez amante.
Acariciar você me fez enamorada.
Amar você me fez mulher.
Ter você me fez meretriz.
Perseguir você me fez insana.
Odiar você me fez sádica.
Perder você me fez poetisa.
(escrito por Rosemeire I.B.Demori)

dezembro 20, 2005

Quando ele partiu...



Quando ele partiu, só dor deixou.
Quando eu parti, de alívio ele suspirou.

Quando ele partiu, me tranquei no quarto escuro.
Quando eu parti, pelo mundo ele saiu.

Quando ele partiu, do meu peito arranquei o amor.
Quando eu parti, uma flor ele plantou noutro jardim.

Hoje, não sei por onde ele anda, também não sei o que foi feito de mim. Só sei que no momento de nossa partida, partido estava meu coração.



(escrito por Rosemeire I. B. Demori)

Se um dia me deixar...

Se um dia me deixar, deixe sem demora.
De modo rápido e letal.
Não olhe para traz, assim não verá o estrago feito.
Ande a passos rápidos e desapareça antes do anoitecer.
Se um dia me deixar, não chore por mim.
Chore por você, pela solidão que sentirá, na ausência minha.
Se um dia me deixar faça as malas, e nelas não esqueça de colocar, os planos não concretizados, beijos roubados, loucuras feitas e mentiras ditas.
Leve contigo a lembrança das lágrimas que correram dos meus olhos quando eu soube de toda a verdade.
Leve também a lembrança do meu sorriso. Era marca registrada de nossos encontros. De felicidade eles floresciam.
Faço questão de que leve com você tudo que havia me dado durante todos esses anos, esperança, sonhos, desejos, paixão, saudade.Mas por favor, lhe peço desesperadamente, quando sair por aquela porta, devolva-me a calma, a sanidade, a felicidade e o amor próprio.
Obrigada.

(escrito por Rosemeire I. B. Demori)

dezembro 18, 2005

Somos Tri!



Não me venha perguntar sobre números de títulos, número de jogos e de gols, por que isso não me importa, só sei que desde que nasci, sou torcedora do São Paulo Futebol Clube. Nasci e cresci amando esse Clube como uma religião.Tomei gosto pelo futebol e especialmente por esse time, através de meu pai Wilson. Sãopaulino roxo, defensor de seu time nas vitórias e derrotas. Sempre assistíamos aos jogos pela televisão. Não sabíamos qual de nós dois era o mais nervoso.Particularmente não me atento ao grande número de jogos e vitórias. O que me fez ser admiradora e torcedora fiel do São Paulo, foi a forma de jogar, a história do time, o carisma que os jogadores e comissão técnica transmitem aos seus torcedores, e o respeito em campo ao time adversário. Além de ser uma fábrica de craques ao meu ver. Grandes jogadores são formados dentro do São Paulo e todo ano são destaques no futebol brasileiro.Profissionais de alto nível como os técnicos Telê Santana, Paulo Autuori, os jogadores Careca, Muller, Raí, Rogério Ceni, Zetti, Dario Pereira, Serginho Chulapa, Kaká, Grafite, Mineiro, Luís Fabiano, Amoroso, Lugano, e tantos outros. Lembrando também de Leônidas da Silva criador do gol de bicicleta, que em 1938 mostrou com genialidade essa nova forma de marcar gols. Velha e nova geração marcada por grandes conquistas.E hoje é dia de gritar que somos Campeões do Mundial de Clubes. Por três vezes levamos esse título a nação brasileira! Valeu grande time paulista, valeu equipe de grandes profissionais.Pai, mais uma vez torcemos juntos em frente a TV. Sei que gritou e vibrou comigo em cada lance. Essa vitória é pra você, onde quer que esteja!
Pra finalizar, antes que esqueça...reparem nas cores da roupa do Papai Noel....rs ele é Sãopaulino!....rsrs
"Salve o tricolor paulista,
Amado clube brasileiro
Tu és forte, tu és grande
Dentre os grandes, és o primeiro.
Oh, Tricolor,
Clube bem-amado,
As tuas glórias
Vêm do passado.
São teus guias brasileiros,
Que te amam eternamente,
De São Paulo tens o nome
Que ostentas dignamente.
Oh, Tricolor...

(Segunda Parte)
Trazes glórias luminosas
Do Paulistano imortal,
Da Floresta também trazes
Um brilho tradicional.
Oh, Tricolor...
São Paulo, clube querido,
Tu tens o nosso amor,
Teu nome e tuas glórias
Tem honra e resplendor.
Oh, Tricolor...
Tuas cores gloriosas
Despertam amor febril
Pela terra bandeirante
Honra e glória no Brasil
Oh, Tricolor...


dezembro 09, 2005

Eu


Não queria que você soubesse, quem eu era na verdade. Muito menos do que sentia por você. Jamais permitiria que soubesse o tamanho do sentimento que nutria e dos medos que sentia. Não queria que me conhecesse de verdade, que soubesse o que havia escondido em meu coração. Quais eram meus sonhos, medos e desejos.
Não queria que notasse minhas fraquezas e muito menos meus defeitos. Queria exaltar minhas qualidades, escondendo o quanto eu poderia ser fraca. Tinha ânsia em mostrar o quanto era forte, competente, engraçada. O quanto era o meu poder de sedução. No meu íntimo parecia ser fácil tentar esconde-los. Tentava ser uma mulher que sabia lidar com o ciúmes, e com a possível perda. Desejava ser a dona da situação.
Não queria mostrar meu lado rancoroso e perverso. Isso poderia me tornar uma pessoa amarga e manipuladora. Confesso que me assustei ao me ver assim. Não pensei que tudo isso poderia estar escondido em algum lugar do meu coração.
Ei, pare! Não sou assim! Sou meiga, calma, diplomática, o que está havendo comigo? Será que as desilusões pelas quais passei e as mentiras que me foram ditas, me fizeram transformar? Que tipo de pessoa me tornei?
Tentei fazer tudo o mais perfeito e correto possível. Mas o correto, saiu incorreto e perdeu-se no tempo.
Sou humana, carne e osso, sou feita de erros e acertos, alegrias e tristezas, amor e ódio. Sou o que sou. Hoje, você sabe quem sou eu, e sei quem é você. Simplesmente reagi a uma ação.
Agora, olha pra mim!
Sou assim, vês?
Veja o que tem por trás daquela mulher tímida. Veja o que foi descoberto!
Grata por ter me ajudado a descobri-la. Hoje não tenho mais nada a esconder, nem deixar de falar o que sinto, muito menos esboçar um sorriso que teima em não sair. Hoje, o máximo que você poderá conseguir de mim, é um olhar apático e indiferente. Mesmo querendo mais uma vez esconder de você o que realmente gostaria de fazer.

dezembro 07, 2005

As três flores

No jardim da vida, nasceram três lindas flores. De espécie muito rara. Flores belas, de suave perfume. Flores que se espreguiçam ao nascer do sol, que sorriem ao mais delicado toque, que brincam e rodopiam ao soprar do vento. Flores que adormecem sob a luz da Lua.
Deus vendo a beleza dessas flores, sentindo o doce perfume que exalavam, achou por bem transforma-las em Anjos. Só assim poderiam levar aos quatro cantos do mundo, a paz, a alegria, o amor, a esperança e o doce perfume da vida. E assim foi feito.
Os Anjos por muito tempo percorreram todo o mundo levando essa mensagem do Deus Pai.
Certo dia, como era de costume, Deus parou seus afazeres para poder observar o fim de tarde das pessoas que habitavam a Terra. Ele gostava de ver as pessoas voltando para casa depois de um dia cheio de trabalho e atribulações. Gostava de ver as famílias reunidas na hora do jantar para poderem conversar e compartilhar do alimento. Pai, mãe e filhos reunidos em comunhão. Eis que Deus parou para observar uma certa família. Algo nela o chamou a atenção. Eram pessoas simples, mas extremamente felizes. Haviam entre eles um amor imensurável. Eram pessoas corretas, honestas e devotas. Sempre procurando Deus nos momentos difíceis e sempre agradecidos quando êxitos eram alcançados.
Vendo tudo isso, Deus pensou que seria bom presenteá-los com algo muito especial. Com algo que pudessem conforta-los nas adversidades e tristezas que a vida lhes havia reservado. Um presente para que eles nunca se esquecessem de que ELE estaria sempre por perto, os guiando e confortando. Para que a felicidade e a união deles se triplicassem sempre que lembrassem do presente.
Então Deus teve uma brilhante idéia. Chamou os três Anjos, e os designou a uma nova missão. Seriam enviados a Terra em forma de três crianças. Os Anjos felizes com a nova tarefa, logo quiseram ir para a Terra. Mas Deus, com calma explicou-lhes que cada um iria em uma época diferente, para que a felicidade daquela família perdurasse por muito tempo. Assim cada Anjo foi enviado em um ano diferente, mas se reencontrariam naquela família. Esses Anjos vieram em forma de três lindas meninas. Cada qual com sua característica, cada qual trazendo nos olhos o amor incondicional. Deus ficou muito feliz com sua obra e muito mais com os nomes dados a elas. Nomes puros de coração. Quem são elas? Marina, Mariana, Ana Luisa. Minhas sobrinhas.
Agradeço a Deus todo dia, por estarem na minha vida e na minha história.
Amo vocês!

dezembro 05, 2005

Desafios

Ela estava sentada em frente ao micro tentando escrever sobre sua vida, tentando colocar no papel as coisas que a assombravam. Lançar-se neste desafio era difícil para ela. Escrever sobre seus medos era adentrar num campo minado. Extremamente complicado. Nem sempre as palavras certas saíam.
Pensou em escrever sobre nas inúmeras vezes que teve vontade em se lançar num novo projeto de vida, em procurar um novo amor, um novo emprego. Mas ela sempre esteva rodeada pelo medo. O medo do fracasso a paralisava.
Em seu interior havia uma vontade de mudar infinita. Mas essa vontade não tinha forças o suficiente para explodir em ações. Então ela simplesmente desistia de seus projetos e sonhos.
Em seu íntimo ela sabia que teria que contar consigo mesma e que essa mudança dependeria somente dela e de mais ninguém.
A culpa era dela, mas não conseguia admitir. Por esse motivo, ela culpava todos pela sua impotência. Culpava a família, o chefe, o governo, culpava o vizinho.
Não tinha coragem de saborear uma nova conquista, saborear o desafio de mudar. Ano após ano ela reclamava sem ter tido ao menos a coragem de olhar para além de sua janela. De buscar as coisas que lhe davam prazer. Os sonhos escapavam através dos dedos. O trem da vida passou apressado e ela nem sequer teve coragem de ir até a estação.
A única coisa que ela consegue é escrever meia dúzia de linhas em seu computador. Meia dúzia de lamentos e de sonhos perdidos.

Para os que virão
Como sei pouco, e sou pouco,
faço o pouco que me cabe
me dando inteiro.
Sabendo que não vou ver
o homem que eu quero ser.
Já sofri suficiente
para não enganar a ninguém :
principalmente aos que sofrem
na própria vida, a garra da opressão, e nem sabem.
Não, não tenho o sol escondido
no meu bolso de palavras.
Sou simplesmente um homem
para quem já a primeira
e desolada pessoado singular – foi deixando,
devagar, sofridamente,
de ser para transformar-se,
- muito mais sofridamente -
na primeira e profunda pessoa do plural.
Não importa que doa: é tempo
de avançar de mão dada
com quem vai no mesmo rumo,
mesmo que longe ainda estejace aprender a conjugar
o verbo amar.
É tempo sobretudo
de deixar de ser apenas
a solitária vanguarda
de nós mesmos.
Se trata de ir ao encontro.
(Dura no peito, arde a límpidaverdade de nossos erros.)
Se trata de abrir o rumo.
Os que virão, serão povo,
e saber serão, lutando.
(Thiago de Mello)

novembro 30, 2005

O quintal

A coisa mais gostosa de quando se é criança, são as brincadeiras que fazemos. As bagunças, os tombos, o sono profundo depois de um dia cheio de diversões. Comigo não foi diferente, embora eu tenha passado a minha infância praticamente sozinha. Minhas irmãs, mais velhas que eu, tinham seus amigos e eu geralmente brincava sozinha. Somente com minha entrada na Pré-escola, é que fui ter amizades com outras crianças. Raramente eu trazia amigos para casa, pois minha avó não suportava a bagunça que fazíamos. Morávamos em uma casa relativamente pequena, nada funcional, pois o banheiro ficava para fora da casa e era complicado usa-lo nos dias de chuva e frio. Às vezes sinto saudades daquela casa. Tive sorte de poder estar nela novamente antes que fosse alugada. Senti-me bem estando lá. A saudade bateu forte. Olhei cada cômodo lembrando de como eram quando morava lá. Pensei nos móveis, pensei na família reunida no almoço de domingo, pensei nos meus avós vendo TV. Lembrei-me até dos quadros de Jesus e de Nossa Senhora que tínhamos na sala. Minha família sempre foi muito católica e para nós os quadros tinham um significado especial. Estavam na sala para acolher as pessoas que chegassem em casa. Lembro-me de sempre olhar para eles quando entrava em casa. Mesmo sendo criança, a imagem de Jesus e Maria, me confortavam. O engraçado foi perceber que cômodos eram bem menores do que havia guardado na lembrança. A visão de tamanho dos lugares é bem diferente de quando se é criança.Nesta rápida visita, a melhor coisa que poderia acontecer foi rever o quintal. Esse sim me trouxe velhas e boas lembranças. Eu corria descalça por entre as árvores, sentindo o frescor da terra sob os pés.
Desde que nos mudamos, o “meu” quintal sofreu as mudanças do tempo. Infelizmente perdeu parte da grama que tinha, perdeu algumas árvores.
Andando por ele, recordei do perfume das jabuticabeiras em flor, sinalizando de que em breve as flores dariam lugar aos frutos doces como mel. O chão era coberto pelas flores que caíam. Parecia que havia neve em meu quintal.
Não posso esquecer do pé de chuchu, suas folhas serviram de alimento para duas galinhas e um galo que tive como animais de estimação. Os ganhei ainda filhotes de um comerciante que vendia leite e ovos perto de minha casa. Os filhotes eram tão pequenos, tão lindos, com uma pelagem amarelo claro, piavam dia e noite, era muito engraçado acordar de madrugada para vê-los. Ficavam na cozinha, dentro de uma grande caixa de papelão.
E assim, os dias foram passando e eles crescendo. Já não ficam mais dentro da cozinha como antes, e sim, correndo e ciscando pelo quintal.
Com o passar do tempo, descobrimos que dos três filhotes, somente um era macho. Que mais tarde se tornaria um belo galo. Descoberto o sexo dos meus filhotes...eis que comecei a pensar em nomes para poder distinguí-los facilmente. Foi aí que batizei o galo de Tonico, e as duas galinhazinhas de Angelina e Ermelinda. Não vou negar que dos três, me apeguei mais a Angelina. Ela era boazinha, mansinha, praticamente um bebê. Andava com ela pra todo canto do quintal. Dava comida e água no seu bico. Quase todo dia, eu me sentava embaixo de uma laranjeira com a Angelina ao colo, e lhe dava folhas de chuchu para comer. Não sei se ela gostava ou se comia sob pressão...rs Também não sei se ela gostava de mim, tanto quanto eu gostava dela. Também não sei se ela entrava em pânico toda vez que eu acordava pela manhã e logo corria pro quintal pra pegá-la no colo...rs dava uma canseira! Eu corria pra lá, corria pra cá, até conseguir pegá-la.
Era o meu bichinho de estimação e minha boneca também. O pessoal de casa certamente não se lembrará do dia em que eu a envolvi com um lenço simulando um vestido.Angelina, onde quer que você esteja, desculpa minhas brincadeiras, mas eu a adorava! rs
Minha história não termina por aqui. Como em toda história de amor, tem um fim trágico...a minha também teve.
Passado algum tempo, meus bichinhos já adultos foram vendidos pela minha mãe e avó. Para meu desespero meus apelos não foram ouvidos. Nunca soube para quem Tunico e Ermelinda foram vendidos. Já Angelina, foi vendida a um velho senhor que tinha um canteiro de hortaliças próximo a minha casa. Ia sempre visitar minha Angelina. Pobrezinha, ficava presa num cantinho apertado, toda sujinha. Depois de um tempo, nunca mais a vi. Nem quero pensar que os três foram parar no prato de um qualquer.
Às vezes os pais querem tanto o nosso bem, e mesmo assim cometem erros. A dor que senti quando eu não os encontrei no quintal foi muito grande. Acho que eles nem sequer perceberam. Mas sinto um nó na garganta toda vez que me lembro deles. Até tentei atropelar minha avó Ignês com minha bicicletinha. Mas não consegui atropelar direito, o máximo que consegui foi esbarrar em sua perna fazendo-a esbravejar em italiano. Naquela época eu devia ter uns 5 ou 6 anos.
Hoje lembro com carinho todo esse episódio.

De: Isabel - Para: Encrenqueiro

"Amo tua voz e tua cor,
e teu jeito de fazer amor"...(Kleiton e Kledir)

Nem tudo nesta vida tem explicações, e é exatamente assim com a paixão.
Não me lembro bem em que ano Kleiton e Kledir fizeram um show aqui em minha cidade, se foi em 2004 ou não. Confesso que não me recordo. Só sei de verdade, que meus olhos se encheram de lágrimas ao ouvir a música PAIXÃO. Uma das canções que mais gosto. Nessa hora só me lembrava DELE, do Encrenqueiro. Me lembrava dos seus olhos, dos seus cabelos, da sua boca, do seu cheiro, dos seus abraços...
Sabe aquelas paixões que te tira do sério? Que você faz loucuras para estar com a pessoa? Que te cega, ensurdece, arrepia, que dá calor. Que faz queimar o peito de ciúmes...e os pés também? Pois é, senti na pele e no coração esse tipo de paixão.
Acredito que esta será a última vez que tocarei neste assunto, mesmo conseguindo escrever sobre ele de uma maneira mais racional. Os anos se passaram e a paixão também. Mas creio que será interessante relembrar esse episódio de minha vida.
Encrenqueiro, assim como o chamarei, foi um homem que idealizei, que sonhei, que criei na minha cabeça. Uma pessoa que desejei ser o homem dos meus sonhos. Como disse, a paixão nos cega, ensurdece. Amei demais, me entreguei sem qualquer restrição. Sem medo algum. Mergulhei fundo sem medir conseqüências. Eu respirava essa paixão todos os dias. Sonhava que aquela felicidade que sentia ao vê-lo, perduraria para sempre. Ledo engano...
Com o passar do tempo, a cegueira foi passando e tão logo percebi que o homem por quem me apaixonei, não existia. Pude ver que o homem pelo qual eu me apaixonara, era frio, inconstante, infiel, mentiroso. A realidade foi muito dura. Após quatro anos vivendo as cegas, a verdade veio a tona. A máscara caiu.
Eu fiquei sem saber o que fazer. Me via sentada na sarjeta da vida, pensando e remoendo a pergunta: Por que? Por que eu? Por que fui feita de boba todo esse tempo?
Mas na vida nem tudo tem explicação.
Nos 4 anos em que ficamos juntos não teve um só dia em que não pensasse nele. Alimentando a vontade de estar junto a ele para sempre.
Depois de todos esses anos estou mais amadurecida. Olho para trás e vejo que tudo que se passou foi uma brincadeira. Na verdade ele perdeu mais do que eu, com esta relação de mentira.
Na época eu sofri demais. Não queria aceitar a verdade. Eu tinha medo de seguir minha vida sem ele. Apavorava-me a idéia de um dia acordar e não lembrar da sua voz, não lembrar do seu cheiro, do seu olhar malicioso, ou da maneira como ele sorria toda vez que eu lhe contava alguma coisa engraçada.
Nunca mais nos falamos. Não sei por onde anda, muito menos se está com alguém. Se teve filhos ou não. A vida tem dessas coisas, eu vou ficando por aqui e ele por ali. Vivendo em mundos paralelos, sem que nosso caminho se cruze novamente.
Que fique para sempre na memória e extinto no coração.
Assim seja!

" Somos donos de nossos atos,
Mas não somos donos de nossos sentimentos;
Somos culpados pelo que fizemos,
Mas não somos culpados pelo que sentimos;
Podemos prometer atos,
Não podemos prometer sentimentos...
Atos são pássaros engaiolados.
Sentimentos são pássaros em vôo".
(escrito por Rubem Alves)

novembro 29, 2005

O começo

Sempre que lia um Blog, ficava com uma louca vontade de ter um também. Tive duas tentativas frustradas. A falta de tempo e inspiração fizeram-me desistir. Talvez a falta de maturidade, o medo da exposição, me impediu de continuar. Confesso que a sensação de vulnerabilidade me apavorava. No meu caso, expressar sentimentos e pensamentos através da escrita é bem mais fácil que expressá-los pela fala. Quando escrevo, minhas idéias e pensamentos calmamente vão tomando forma, vão se encaixando de maneira que meus medos e pudores vão se dissipando. Escrevo sobre coiss que certamente não conseguiria falar “ ao vivo e a cores”. Hoje aos 30 anos, resolvi enfrentar meus medos e me lançar nesse auto conhecimento.Para uma pessoa tímida como eu, escrever sobre sonhos, desilusões está sendo uma experiência incrível. Afinal, não é nada fácil explorar nosso lado mais íntimo e colocá-lo na Internet em forma de Blog para quem quer que seja o ler. Fracassos e vitórias são enumerados e relembrados... servindo de aprendizado e crescimento. Mas, quem sou eu?
Nasci às 22hs 50m, do dia 05 de novembro de 1975 no interior de São Paulo. Embora sendo uma Escorpiana esotérica, fui batizada e crismada na Igreja Católica. Acredito em Deus acima de tudo. Faço orações diariamente, acendo velas e incensos. Ouço mantras e coleciono cristais. Acredito na existência de Anjos.
Gosto do azul do céu. Admiro o poder do Sol. Mas é a noite que me encanta e seduz. Passo horas olhando o céu. Admirar a Lua e as estrelas me fascina. É nesse momento que saio da realidade e deixo meus pensamentos vagarem.
Acredito no amor, na fidelidade, na amizade e no poder do abraço.
Gosto das Histórias do Antigo Egito e dos Deuses Indianos. Leio sobre história da arte e extraterrestres. Mesmo não entendendo de futebol, tenho o São Paulo Futebol Clube como time do coração.
Sou a caçula de uma família de quatro irmãs. Tive a felicidade de nascer em meio a uma família abençoada por Deus. Pais maravilhosos, anjos em pele de pai e mãe. Eu e minhas irmãs fomos criadas em um ambiente de amor. Amor imensurável, forte e verdadeiro. Nossos laços de amizade e amor são inabaláveis. Companheiras ao extremo, lutamos sempre pela felicidade uma das outras.
Meu pai, era um homem de poucas palavras, mas de coração enorme. Um homem correto, honesto e sensível. Antes de adoecer, pressentiu que algo terrível aconteceria em nossa família. Dias depois confidenciou a minha mãe, que havia pedido a Deus que o mal que viria acontecer, recaísse sobre ele e não sobre sua esposa e filhas. Sempre que penso nisso, me comovo. Foi um grande homem e pai. Deus o levou em outubro de 2003. A saudade é grande, mas o amor que sentimos por ele é imortal.
Minha mãe, mineirinha de Monte Santo, cozinheira de mão cheia. Nossa baixinha amada e adorada. Mulher forte enfrentou muita dificuldade em sua infância. Junto com meu pai nos criou sempre com muita luta. Antes do meu nascimento, passaram por problemas financeiros. Mesmo com meu pai desempregado e minhas irmãs gêmeas doentes, eles não deixaram o desânimo e a descrença tomar conta. Acreditavam que Deus os ajudariam nesta fase difícil. E ELE, os ajudou...