The same old story

The same old story

novembro 30, 2005

O quintal

A coisa mais gostosa de quando se é criança, são as brincadeiras que fazemos. As bagunças, os tombos, o sono profundo depois de um dia cheio de diversões. Comigo não foi diferente, embora eu tenha passado a minha infância praticamente sozinha. Minhas irmãs, mais velhas que eu, tinham seus amigos e eu geralmente brincava sozinha. Somente com minha entrada na Pré-escola, é que fui ter amizades com outras crianças. Raramente eu trazia amigos para casa, pois minha avó não suportava a bagunça que fazíamos. Morávamos em uma casa relativamente pequena, nada funcional, pois o banheiro ficava para fora da casa e era complicado usa-lo nos dias de chuva e frio. Às vezes sinto saudades daquela casa. Tive sorte de poder estar nela novamente antes que fosse alugada. Senti-me bem estando lá. A saudade bateu forte. Olhei cada cômodo lembrando de como eram quando morava lá. Pensei nos móveis, pensei na família reunida no almoço de domingo, pensei nos meus avós vendo TV. Lembrei-me até dos quadros de Jesus e de Nossa Senhora que tínhamos na sala. Minha família sempre foi muito católica e para nós os quadros tinham um significado especial. Estavam na sala para acolher as pessoas que chegassem em casa. Lembro-me de sempre olhar para eles quando entrava em casa. Mesmo sendo criança, a imagem de Jesus e Maria, me confortavam. O engraçado foi perceber que cômodos eram bem menores do que havia guardado na lembrança. A visão de tamanho dos lugares é bem diferente de quando se é criança.Nesta rápida visita, a melhor coisa que poderia acontecer foi rever o quintal. Esse sim me trouxe velhas e boas lembranças. Eu corria descalça por entre as árvores, sentindo o frescor da terra sob os pés.
Desde que nos mudamos, o “meu” quintal sofreu as mudanças do tempo. Infelizmente perdeu parte da grama que tinha, perdeu algumas árvores.
Andando por ele, recordei do perfume das jabuticabeiras em flor, sinalizando de que em breve as flores dariam lugar aos frutos doces como mel. O chão era coberto pelas flores que caíam. Parecia que havia neve em meu quintal.
Não posso esquecer do pé de chuchu, suas folhas serviram de alimento para duas galinhas e um galo que tive como animais de estimação. Os ganhei ainda filhotes de um comerciante que vendia leite e ovos perto de minha casa. Os filhotes eram tão pequenos, tão lindos, com uma pelagem amarelo claro, piavam dia e noite, era muito engraçado acordar de madrugada para vê-los. Ficavam na cozinha, dentro de uma grande caixa de papelão.
E assim, os dias foram passando e eles crescendo. Já não ficam mais dentro da cozinha como antes, e sim, correndo e ciscando pelo quintal.
Com o passar do tempo, descobrimos que dos três filhotes, somente um era macho. Que mais tarde se tornaria um belo galo. Descoberto o sexo dos meus filhotes...eis que comecei a pensar em nomes para poder distinguí-los facilmente. Foi aí que batizei o galo de Tonico, e as duas galinhazinhas de Angelina e Ermelinda. Não vou negar que dos três, me apeguei mais a Angelina. Ela era boazinha, mansinha, praticamente um bebê. Andava com ela pra todo canto do quintal. Dava comida e água no seu bico. Quase todo dia, eu me sentava embaixo de uma laranjeira com a Angelina ao colo, e lhe dava folhas de chuchu para comer. Não sei se ela gostava ou se comia sob pressão...rs Também não sei se ela gostava de mim, tanto quanto eu gostava dela. Também não sei se ela entrava em pânico toda vez que eu acordava pela manhã e logo corria pro quintal pra pegá-la no colo...rs dava uma canseira! Eu corria pra lá, corria pra cá, até conseguir pegá-la.
Era o meu bichinho de estimação e minha boneca também. O pessoal de casa certamente não se lembrará do dia em que eu a envolvi com um lenço simulando um vestido.Angelina, onde quer que você esteja, desculpa minhas brincadeiras, mas eu a adorava! rs
Minha história não termina por aqui. Como em toda história de amor, tem um fim trágico...a minha também teve.
Passado algum tempo, meus bichinhos já adultos foram vendidos pela minha mãe e avó. Para meu desespero meus apelos não foram ouvidos. Nunca soube para quem Tunico e Ermelinda foram vendidos. Já Angelina, foi vendida a um velho senhor que tinha um canteiro de hortaliças próximo a minha casa. Ia sempre visitar minha Angelina. Pobrezinha, ficava presa num cantinho apertado, toda sujinha. Depois de um tempo, nunca mais a vi. Nem quero pensar que os três foram parar no prato de um qualquer.
Às vezes os pais querem tanto o nosso bem, e mesmo assim cometem erros. A dor que senti quando eu não os encontrei no quintal foi muito grande. Acho que eles nem sequer perceberam. Mas sinto um nó na garganta toda vez que me lembro deles. Até tentei atropelar minha avó Ignês com minha bicicletinha. Mas não consegui atropelar direito, o máximo que consegui foi esbarrar em sua perna fazendo-a esbravejar em italiano. Naquela época eu devia ter uns 5 ou 6 anos.
Hoje lembro com carinho todo esse episódio.

De: Isabel - Para: Encrenqueiro

"Amo tua voz e tua cor,
e teu jeito de fazer amor"...(Kleiton e Kledir)

Nem tudo nesta vida tem explicações, e é exatamente assim com a paixão.
Não me lembro bem em que ano Kleiton e Kledir fizeram um show aqui em minha cidade, se foi em 2004 ou não. Confesso que não me recordo. Só sei de verdade, que meus olhos se encheram de lágrimas ao ouvir a música PAIXÃO. Uma das canções que mais gosto. Nessa hora só me lembrava DELE, do Encrenqueiro. Me lembrava dos seus olhos, dos seus cabelos, da sua boca, do seu cheiro, dos seus abraços...
Sabe aquelas paixões que te tira do sério? Que você faz loucuras para estar com a pessoa? Que te cega, ensurdece, arrepia, que dá calor. Que faz queimar o peito de ciúmes...e os pés também? Pois é, senti na pele e no coração esse tipo de paixão.
Acredito que esta será a última vez que tocarei neste assunto, mesmo conseguindo escrever sobre ele de uma maneira mais racional. Os anos se passaram e a paixão também. Mas creio que será interessante relembrar esse episódio de minha vida.
Encrenqueiro, assim como o chamarei, foi um homem que idealizei, que sonhei, que criei na minha cabeça. Uma pessoa que desejei ser o homem dos meus sonhos. Como disse, a paixão nos cega, ensurdece. Amei demais, me entreguei sem qualquer restrição. Sem medo algum. Mergulhei fundo sem medir conseqüências. Eu respirava essa paixão todos os dias. Sonhava que aquela felicidade que sentia ao vê-lo, perduraria para sempre. Ledo engano...
Com o passar do tempo, a cegueira foi passando e tão logo percebi que o homem por quem me apaixonei, não existia. Pude ver que o homem pelo qual eu me apaixonara, era frio, inconstante, infiel, mentiroso. A realidade foi muito dura. Após quatro anos vivendo as cegas, a verdade veio a tona. A máscara caiu.
Eu fiquei sem saber o que fazer. Me via sentada na sarjeta da vida, pensando e remoendo a pergunta: Por que? Por que eu? Por que fui feita de boba todo esse tempo?
Mas na vida nem tudo tem explicação.
Nos 4 anos em que ficamos juntos não teve um só dia em que não pensasse nele. Alimentando a vontade de estar junto a ele para sempre.
Depois de todos esses anos estou mais amadurecida. Olho para trás e vejo que tudo que se passou foi uma brincadeira. Na verdade ele perdeu mais do que eu, com esta relação de mentira.
Na época eu sofri demais. Não queria aceitar a verdade. Eu tinha medo de seguir minha vida sem ele. Apavorava-me a idéia de um dia acordar e não lembrar da sua voz, não lembrar do seu cheiro, do seu olhar malicioso, ou da maneira como ele sorria toda vez que eu lhe contava alguma coisa engraçada.
Nunca mais nos falamos. Não sei por onde anda, muito menos se está com alguém. Se teve filhos ou não. A vida tem dessas coisas, eu vou ficando por aqui e ele por ali. Vivendo em mundos paralelos, sem que nosso caminho se cruze novamente.
Que fique para sempre na memória e extinto no coração.
Assim seja!

" Somos donos de nossos atos,
Mas não somos donos de nossos sentimentos;
Somos culpados pelo que fizemos,
Mas não somos culpados pelo que sentimos;
Podemos prometer atos,
Não podemos prometer sentimentos...
Atos são pássaros engaiolados.
Sentimentos são pássaros em vôo".
(escrito por Rubem Alves)

novembro 29, 2005

O começo

Sempre que lia um Blog, ficava com uma louca vontade de ter um também. Tive duas tentativas frustradas. A falta de tempo e inspiração fizeram-me desistir. Talvez a falta de maturidade, o medo da exposição, me impediu de continuar. Confesso que a sensação de vulnerabilidade me apavorava. No meu caso, expressar sentimentos e pensamentos através da escrita é bem mais fácil que expressá-los pela fala. Quando escrevo, minhas idéias e pensamentos calmamente vão tomando forma, vão se encaixando de maneira que meus medos e pudores vão se dissipando. Escrevo sobre coiss que certamente não conseguiria falar “ ao vivo e a cores”. Hoje aos 30 anos, resolvi enfrentar meus medos e me lançar nesse auto conhecimento.Para uma pessoa tímida como eu, escrever sobre sonhos, desilusões está sendo uma experiência incrível. Afinal, não é nada fácil explorar nosso lado mais íntimo e colocá-lo na Internet em forma de Blog para quem quer que seja o ler. Fracassos e vitórias são enumerados e relembrados... servindo de aprendizado e crescimento. Mas, quem sou eu?
Nasci às 22hs 50m, do dia 05 de novembro de 1975 no interior de São Paulo. Embora sendo uma Escorpiana esotérica, fui batizada e crismada na Igreja Católica. Acredito em Deus acima de tudo. Faço orações diariamente, acendo velas e incensos. Ouço mantras e coleciono cristais. Acredito na existência de Anjos.
Gosto do azul do céu. Admiro o poder do Sol. Mas é a noite que me encanta e seduz. Passo horas olhando o céu. Admirar a Lua e as estrelas me fascina. É nesse momento que saio da realidade e deixo meus pensamentos vagarem.
Acredito no amor, na fidelidade, na amizade e no poder do abraço.
Gosto das Histórias do Antigo Egito e dos Deuses Indianos. Leio sobre história da arte e extraterrestres. Mesmo não entendendo de futebol, tenho o São Paulo Futebol Clube como time do coração.
Sou a caçula de uma família de quatro irmãs. Tive a felicidade de nascer em meio a uma família abençoada por Deus. Pais maravilhosos, anjos em pele de pai e mãe. Eu e minhas irmãs fomos criadas em um ambiente de amor. Amor imensurável, forte e verdadeiro. Nossos laços de amizade e amor são inabaláveis. Companheiras ao extremo, lutamos sempre pela felicidade uma das outras.
Meu pai, era um homem de poucas palavras, mas de coração enorme. Um homem correto, honesto e sensível. Antes de adoecer, pressentiu que algo terrível aconteceria em nossa família. Dias depois confidenciou a minha mãe, que havia pedido a Deus que o mal que viria acontecer, recaísse sobre ele e não sobre sua esposa e filhas. Sempre que penso nisso, me comovo. Foi um grande homem e pai. Deus o levou em outubro de 2003. A saudade é grande, mas o amor que sentimos por ele é imortal.
Minha mãe, mineirinha de Monte Santo, cozinheira de mão cheia. Nossa baixinha amada e adorada. Mulher forte enfrentou muita dificuldade em sua infância. Junto com meu pai nos criou sempre com muita luta. Antes do meu nascimento, passaram por problemas financeiros. Mesmo com meu pai desempregado e minhas irmãs gêmeas doentes, eles não deixaram o desânimo e a descrença tomar conta. Acreditavam que Deus os ajudariam nesta fase difícil. E ELE, os ajudou...