The same old story

The same old story

outubro 21, 2006

Animal


Vive em mim um animal.
Acuado e ferido
Há tempos escondido.
Um animal sofrido, por vezes arredio.
Triste e solitário.
Um animal que buscou no silêncio da noite
uma companhia permanente.
Sob o luar soube se mostrar sem medo.
Pois encontrou na Lua a companhia que tanto procurava.
Que venha a Lua e todos os seres da noite.
Tragam o afago de que ele tanto necessita.
Escutem a batida de seu bom coração.
Vejam a doçura de seu olhar.
Sintam o calor do seu corpo.
Não temam.
Por mais arredio que ele seja,
esse animal que há dentro de mim,
quer somente um toque de carinho e atenção.

abril 25, 2006

Servi-me de desilusão, num banquete de mentiras.

março 31, 2006

Adeus


Hoje, darei adeus a dor, a solidão, ao sofrimento diário.
Darei adeus às humilhações, as mentiras e as indiferenças.
Das ironias e das manipulações procurarei esquecer. Como também esquecerei das traições, das falsas promessas e preocupações.
Darei adeus as lágrimas, as noites mal dormidas, aos sonhos interrompidos.
Hoje darei adeus a você, para dar boas vindas a vida que deixei partir no momento em que te conheci.

março 28, 2006

O que me faz feliz...


Adormecer ouvindo a chuva.
Chocolate.
Sorvete.
Andar descalça.
Ficar com o cabelo molhado.
Rir até a barriga doer.
Espreguiçar.
Bocejar.
Dirigir cantando.
Fim de tarde.
Cochilar no sofá.
Ler.
Escrever.
Inverno.
Viajar.
Bater papo.
Brincar com minhas sobrinhas.
Pão quente.
Leite com café.
Suco de laranja.
Vinho quente.
Caipirinha.
Cinema.
Fotografar.
Dia nublado.
Noite de lua cheia.
Comprar meias coloridas.
Ficar em casa.
Sonhar acordada.
Ser EU.

Confusão

Tenho andado de um jeito incerto, sem saber ao certo para onde ir.
Caminho apressado como se o tempo me faltasse. Como se tivesse pressa de viver.
Ando por caminhos que não me levam a lugar algum. Por mais que eu ande, sempre volto ao ponto de partida.
Ando em círculos, com ar compenetrado, um ar preocupado, como se algo de muito importante estivesse para realizar.
A tal pressa me rouba a perfeição, me tira a calma, e de ansiedade vou vivendo.
Tantos projetos deixei pela metade.
Sonhos vem e se vão.
Falta-me tempo para termina-los.
Quero o TUDO e o NADA ao mesmo tempo.

janeiro 15, 2006

Dor de amor


Como dói essa dor de amor que a muito tempo tentei não deixar doer.
Lutei, relutei, sorri, cantei, dancei, e nada dessa dor passar.
Fingi, esnobei, xinguei e a dor ali, persistindo no meu peito.
Andei, corri e de cansaço parei, e a dor seguindo meus passos. Para onde quer que fosse, ela estaria ali, ao meu encalço.
Telefonei, escrevi, acenei, mas nada do que fiz amenizou a dor.
Hoje, cansada de lutar, deixei a dor percorrer o corpo.
Vou caminhando, trabalhando e vivendo, já acostumada com essa dor.
Não há nada que eu possa fazer.
Sei que sentir essa dor é viver no passado. Um passado não muito distante.
Dor de um amor, de uma vida que não foi vivida.
Sentir dor e tristeza por algo que não aconteceu, que simplesmente imaginei.
A única coisa real é a dor. Pois a sinto junto ao peito, junto ao estômago, que sobre e desce, percorrendo os labirintos das veias do meu corpo.
É um misto de dor física e dor espiritual, que só é possível existir quando se ama alguém irreal.

janeiro 12, 2006

CONTO SOBRE A MALDADE – Inspirado no poeta Conde de Lautréamont

(12o Concurso dos Blogueiros Malditos - Orkut)
Em toda minha vida, sempre tive que lutar para ter reconhecimento da minha família e amigos, coisa que na verdade nunca aconteceu. Por mais que achasse que teria êxito em alguma coisa que fizesse, acabava sempre sendo desmoralizado.
Sou o mais velho de uma família de cinco irmãos. Se é que tenho irmãos de verdade, pois o tratamento que recebo de meus pais em relação a eles sempre foi diferente. Talvez eu seja um bastardo qualquer e ainda não saiba.
Meu nascimento foi envolto a grandes dificuldades, tanto financeiro como em relação a minha própria saúde. Nasci com má formação dos ossos na perna direita e ao crescer esse problema fez com que minha perna direita não se desenvolvesse totalmente, me fazendo mancar.
Cresci ouvindo as risadas do meu pai em zombaria ao meu modo de andar. Um velho bêbado e grosseiro. Já minha mãe silenciava diante das atitudes dele. Confesso que o comportamento de minha mãe me atormentava, pois no meu íntimo eu clamava por uma palavra de defesa e carinho por parte dela. Cresci sendo o menino bizarro da rua e também da escola. Tudo isso me fez ser um jovem tímido e calado.
Dentro de mim o ódio e o rancor estavam sendo gerados. Como um filho no útero.
Mesmo com o ódio crescendo, eu travava uma luta interna. Pois ao mesmo tempo em que eu tinha ódio das pessoas, eu também queria poder ajudar. Pensei em cursar medicina, e sem pestanejar prestei vários vestibulares em diversas faculdades.
Para minha íntima alegria consegui passar no curso de medicina, de uma Faculdade Estadual. Tive êxito devido aos meus esforços, ao meu mérito pessoal, não dependi de ninguém. Êxito esse, que passou despercebido entre meus familiares.
Sempre calado e cabisbaixo, terminei o primeiro semestre com excelentes notas. Tão logo se iniciou o segundo, uma garota me chamou a atenção de maneira intensa. Das moças que pela faculdade transitavam, ela era a mais bela.
De gestos delicados, sorriso inocente e ao mesmo tempo profano. Cabelos negros como noite sem Lua, de pele muito branca, da cor do marfim. Fiquei transtornado e desejoso de te-la em meus braços. Era um Anjo cruel, Anjo de marfim. Senti que a amava e a odiava tanto, que por diversas vezes sonhei ver o contraste do seu sangue carmim sobre a pele alva. Seu desprezo para comigo era cruel.
Ela não me olhava nos olhos, e com sua arrogância me ignorava. Na sala de aula ouvia seu riso com as amigas. Certamente perceberam meus desconcertos quando eu me deparava com ela. Eu sei que era motivo de chacota entre os alunos, meu olhar de soslaio percebia o que se passava.
Depois de um tempo, com minhas economias comprei um carro. Assim eu poderia andar pela cidade nas horas de solidão. Confesso que muitos pensamentos vinham me atormentar, principalmente quando estava me preparando para dormir.
Os dias foram se passando e o rancor aumentando. Dia após dia eu só pensava naquela pele alva, na vontade de rasga-la e ver a cor do seu sangue, sentir o sabor do rubro licor.
Minha obsessão era grande, tão grande que não sei exatamente como consegui que meu anjo de marfim aceitasse uma carona minha. Talvez fosse pelo adiantar da hora, já que havia saído tarde do hospital da faculdade naquela noite, e eu passava por ali “despretensiosamente”.
Levei-a em um armazém abandonado, onde eu me escondia quando criança, sempre que sentia rejeitado, triste, com raiva. A fiz entrar com o pretexto de que ali ainda havia objetos raros do antigo armazém, que o proprietário havia deixado para trás quando faliu. Soube meses antes, de que ela gostava de antiguidades e planejei por semanas uma possível abordagem e de como a levaria no local escolhido. No caminho comentei que havia comprado uma bebida muito famosa, que muitas pessoas comentavam e que havia me dado água na boca, perguntei se gostaria de experimentar comigo. Pela primeira vez ela me olhou nos olhos e sorriu, aceitando o convite. Meu coração disparou, vieram inúmeros pensamentos e a excitação tomou conta do meu corpo.
Parei o carro uns metros longe do armazém com a desculpa de que tinha medo de que ladrões o levassem.
Logo que chegamos ao segundo andar do armazém, abri a garrafa da inebriante bebida e a deixei se deliciar com o líquido verde. Acendi velas, espalhei algumas sobre o chão. Percebendo que ela já estava sob os efeitos da Fada Verde, eu a esbofeteei com toda força que estava guardada em mim, ela foi lançada alguns poucos metros de onde eu estava. Foi jogada ao chão, havia chegado o momento. Todo o ódio, toda a raiva, todo o desprezo que ela me direcionava, as chacotas feitas para mim, toda a minha infância, vieram como um filme em minha mente. Olhando para ela com ódio e com sarcasmo na voz, eu disse:
- Ah, meu anjo de marfim, estamos aqui somente eu e você. Não fale nada, vejo o medo estampado em seus olhos. Não chore, beba mais, é Absinto, você se sentirá melhor, mais tranqüila. Eu a trouxe para esse lugar, para que pudéssemos ficar juntos um pouco, conversar. Você sempre zombou de mim, não é mesmo? Enfim o momento tão esperado, chegou. Não é da maneira como eu sonhava, mas da maneira como meu ódio clamava.
Meu anjo de marfim já não estava mais consciente, a despi como um animal feroz, a beijei, a mordi. Ela estava mais linda do que nunca, toda nua sob a luz das velas que para ela trouxe.
Nesse momento eu desejei ver mais que simplesmente seu corpo nu. Queria ver a cor do seu sangue. Friamente peguei o bisturi que havia roubado das aulas de anatomia e comecei a abrir sua pele. Ela gemeu, não sabia o que estava acontecendo. A Fada Verde entorpeceu seus sentidos, e assim continuei minha exploração. Cuidadosamente fui abrindo sua carne, até que meu anjo aos poucos foi se desfalecendo e deixando seu corpo somente para mim. Sobre o corpo inerte e frio fui conhecendo meu anjo de marfim através de cada veia, de cada órgão. Eu ali, também nu me lambuzei com seu rubro licor. Eu a amei e a odiei tanto.
Depois de tudo terminado, de ter conhecido cada parte daquele corpo branco, olhei pela última vez meu anjo de marfim, que agora eram pedaços amontoados e disse com voz trêmula:
- Meu anjo de marfim, agora tenho que ir. Mas antes quero que vá para o céu, unida nas chamas que farei para você.
Para não ser descoberto e por não querer que soubessem que naquela noite houve um ritual de amor e ódio no velho armazém, coloquei fogo em pontos estratégicos para que se alastrasse rapidamente. Fiz de maneira que as labaredas fossem impiedosas. Elas consumiram cada canto daquele lugar e cada pedacinho do corpo do meu anjo.
Segui caminhando pela rua em direção ao meu carro, deixei para trás as chamas famintas devorarem aquela velha edificação. As ruas estavam vazias, não olhei para trás.
Do armazém só levei a lembrança daquele corpo nu e no meu corpo levei a cor das tuas entranhas.

janeiro 10, 2006

Quero ser a Barbie



Quando se é criança, sonhamos com o nosso futuro, o que seremos quando crescer. Professora, mãe, enfermeira, e no decorrer da infância os sonhos mudam.
Mas hoje, depois de pensar muito, cheguei a conclusão de que quero ser a Barbie. Isso mesmo, a Barbie!
Reflita comigo, a Barbie é uma mulher bonita, rica, loira, peito e bumbum perfeitos. Está sempre bem vestida e penteada. Nunca está de mau humor, pode-se ver pelo sorriso que ela sempre traz no rosto. Ela não menstrua e não precisa se depilar. Tem um namorado fiel e bem sucedido. E o mais legal é que eles não pensam em se casar! Olha que máximo! Saem juntos, se divertem e a menção da palavra casamento é colocada de lado. Se bem que a vi de noiva uma vez, mas creio que estava vestida para alguma festa a fantasia qualquer. Mas notem, a versão Barbie Noiva é morena! E depois falam que as loiras é que são burras. (foto)
Mas continuando, ela faz compras, cavalga, patina, passeia em seu carro conversível, mora numa casa luxuosa, adora festas. Quando resolve trabalhar, visto que ela não necessita, as melhores profissões são reservadas a ela.
E suas amigas? Reparou como elas são mais feias que a Barbie? Isso é o sonho de qualquer mulher, vai negar você que me lê?
Agora pense bem, como deve ser frustrante você brincar de Barbie sua infância toda e de repente se deparar com um casamento mal sucedido, cheia de filhos e um tanque cheio de roupas pra lavar. Não, não, mil vezes não! Eu quero ser a Barbie sim, e não venha tirar o meu direito! (risos)
Assim seja!

janeiro 06, 2006

Doce infância



Um dia antes do Natal de 2005, vi pela TV o show de Adriana Partimpim. Para quem não sabe, Adriana Partimpim nada mais é, que a cantora Adriana Calcanhoto, que lançou um CD infantil. Neste dia parei para assistir e ter a oportunidade de conhecer as músicas gravadas, já que sou há muito tempo fã dessa artista. Em minha opinião Adriana Calcanhoto é uma cantora de voz doce, compositora de inteligência e sensibilidade extrema. Uma mulher discreta no palco e de olhar expressivo.
Logo nas primeiras músicas, via-se as crianças cantando, dançando, estavam muito animadas. O show é realmente maravilhoso. Gostei tanto que corri comprar o CD. Com canções alegres, educativas, ele nos diverte. Algumas canções são velhas conhecidas como, “Oito Anos”, composta por Paula Toller, ou “Ciranda da bailarina” de Edu Lobo e Chico Buarque e a minha predileta a “Lição de baião”, gravada em 1961 por Baden Powell (foto).
Na verdade o que quero mostrar com o comentário que fiz sobre o show da Adriana Partimpim, é dizer que para divertir as crianças, as “cantoras e apresentadoras” de programas infantis, não precisam vestir micro saias ou usar de uma falsa ingenuidade escondida atrás de uma exacerbada sensualidade.
Você que me lê, não me julgue moralista, só gostaria de que as crianças fossem crianças. Que escutassem músicas com algum conteúdo, que assistissem programas educativos, que ensinassem coisas básicas como o respeito ao próximo, a educação, a generosidade. É pedir muito ou sonhar demais?
Mas, onde encontro programas desse gênero na pobre e fraca programação da televisão brasileira?
Penso que teria que haver uma reformulação geral nas músicas e nos programas infantis. Chega de bundinha, de peitinho. Chega de programas com louras turbinadas e cérebros do tamanho de um amendoim. Quero crianças pensando como crianças, que brinquem e ajam como tais. Chega de roubar a sua ingenuidade e acelerar sua maturidade.
Será que escrevi um texto utópico? Não sei responder, talvez. Mas é um desejo que eu gostaria de ver um dia realizado. Que toda criança pudesse desfrutar de programas, de músicas, filmes adequados. Assim como minhas sobrinhas têm esse privilégio. De serem crianças, até a hora de crescer.

janeiro 03, 2006

Pai


Sempre que meu pai retornava ao trabalho após o almoço, eu o acompanhava de mãos dadas até o portão. Repetia esse gesto todos os dias, religiosamente.
Quando ele entrava no carro, eu pegava uma flor amarela que nascia próxima a uma grande árvore que havia em frente de casa, eu a beijava e lhe entregava. Ele por sua vez, a recebia com um beijo e a guardava no “ quebra sol” do carro.
Nos fins de semana dava pra ver a quantidade de flores secas dentro do carro.
Não me lembro com qual idade estava quando deixei de acompanha-lo. Mas uma coisa é certa, se eu soubesse que um dia meu pai me deixaria, que iria morar com os anjos do Céu, certamente não teria soltado de sua mão por um instante sequer.
Pai, hoje é seu aniversário, aceite com amor e saudades novamente a florzinha amarela.

janeiro 02, 2006

A chuva



Acordei pensando em escrever um poema.
Algo que pudesse explicar em poucas palavras o que sinto.
Lá fora chove, coroando uma segunda-feira preguiçosa. Pessoas saindo de casa para o trabalho depois de um fim de semana cheio de festas. Ano Novo é sempre assim, brindes, abraços, alegria. Votos de um ano feliz, cheio de saúde, paz, prosperidade e amor.
Mas dentro de mim também chove e parece não querer cessar. Chuva fina, constante. Sinto que está nublado, escuro.
Sinto frio...
Deixe-me ficar assim, quieta, para que eu possa fazer essa chuva parar. Pelo menos tentar.
Preciso me aquecer, o frio é latente.
Sinto sono, e isso me entorpece os sentidos. Não consigo pensar com clareza.
Deixarei o poema para depois.
Volto para meu quanto, deito-me. Fecho meus olhos. As pálpebras pesam, não consigo ficar acordada.
O sono que sinto agora é diferente, estranho. Aconchego-me mais na cama, abraço meu travesseiro e a paz toma conta do meu peito e uma luz intensa, quente vem me envolver. Não sinto mais frio e isso me faz bem. A paz é imensa e me faz flutuar, me alegra profundamente.
Sinto alívio em saber que a chuva que havia dentro de mim cessou. Aquela chuva fina e constante se foi.
Engraçado, agora sou a própria chuva que cai sobre as pessoas indo para o trabalho. Que molha as roupas, os cabelos, os sapatos. Sou eu quem molha os telhados e que brinca com as flores nos jardins.
Agora sou eu quem faz o dia ficar preguiçoso e sonolento.
Pois sou chuva agora, fina e constante.


(escrito por Rosemeire I. B. Demori)