The same old story

The same old story

janeiro 02, 2006

A chuva



Acordei pensando em escrever um poema.
Algo que pudesse explicar em poucas palavras o que sinto.
Lá fora chove, coroando uma segunda-feira preguiçosa. Pessoas saindo de casa para o trabalho depois de um fim de semana cheio de festas. Ano Novo é sempre assim, brindes, abraços, alegria. Votos de um ano feliz, cheio de saúde, paz, prosperidade e amor.
Mas dentro de mim também chove e parece não querer cessar. Chuva fina, constante. Sinto que está nublado, escuro.
Sinto frio...
Deixe-me ficar assim, quieta, para que eu possa fazer essa chuva parar. Pelo menos tentar.
Preciso me aquecer, o frio é latente.
Sinto sono, e isso me entorpece os sentidos. Não consigo pensar com clareza.
Deixarei o poema para depois.
Volto para meu quanto, deito-me. Fecho meus olhos. As pálpebras pesam, não consigo ficar acordada.
O sono que sinto agora é diferente, estranho. Aconchego-me mais na cama, abraço meu travesseiro e a paz toma conta do meu peito e uma luz intensa, quente vem me envolver. Não sinto mais frio e isso me faz bem. A paz é imensa e me faz flutuar, me alegra profundamente.
Sinto alívio em saber que a chuva que havia dentro de mim cessou. Aquela chuva fina e constante se foi.
Engraçado, agora sou a própria chuva que cai sobre as pessoas indo para o trabalho. Que molha as roupas, os cabelos, os sapatos. Sou eu quem molha os telhados e que brinca com as flores nos jardins.
Agora sou eu quem faz o dia ficar preguiçoso e sonolento.
Pois sou chuva agora, fina e constante.


(escrito por Rosemeire I. B. Demori)

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