The same old story

The same old story

fevereiro 04, 2007

“CARA DE PALHAÇO, PINTA DE PALHAÇO, ROUPA DE PALHAÇO...”



É chegado o fim de mais um espetáculo. As cortinas se fecham, as luzes se apagam. Mais uma vez o palhaço sai de cena. No camarim, ele retira a maquiagem, desfaz-se da fantasia, volta a realidade. É assim todas as noites.
Muitas vezes nos escondemos por trás de um personagem, de uma pintura ou máscara que seja. Não demonstramos o que realmente sentimos. Temos que adotar uma postura politicamente correta. Temos que ser polidos, educados, medir as palavras e os atos. Diversas vezes deixamos de falar e agir em uma determinada situação com medo de magoar o próximo, mesmo sabendo que o próximo não tem essa mesma preocupação. Então nos escondemos, fingimos ser o que não somos pra poder nos enquadrar com o que a sociedade acha ser o perfil ideal do bom cidadão. Temos que ser corretos em tudo. Ter uma postura invejável, por mais que isso sufoque nosso real interior. Não quero dizer que temos que ser inconseqüentes em nossos atos, mas que possamos falar sim e não sempre que nos convier. Que possamos falar das coisas que gostamos, de que não gostamos. Das coisas que nos incomodam e das coisas que nos fazem felizes. Falar sem rodeios, sem medos, com o coração aberto e espírito livre. Certamente seríamos mais felizes e o mundo teria paz.







“ Se a liberdade significa alguma coisa, será sobretudo o direito de dizer às pessoas o que elas não querem ouvir.” ( George Orwel 1903-1950 – Escritor Inglês)







Por te falar eu te assustarei e te perderei?
Mas se eu nunca falar eu me perderei,
e por me perder eu te perderei.



(Clarice Lispector)





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